Parábola : A Árvore da montanha

As reflexões abaixo serão, em partes, transcritas do Livro “Assim falava Zarastura”, de Friederich Nietzsche, parte Reflexões minhas gozando da liberdade artística. Um fato interessante é que eu possuo a mesma personalidade, segundo a classificação do Psicólogo Jung, o MBTI, ambos INTJS. Citei esse fato pela habilidade nata desse tipo de personalidade de entender metáforas ou o sentido que música, textos, poemas e poesias querem de fato dizer.


Mas reforço que são minhas interpretações ao ler. Você pode tirar suas próprias, munido das tuas crenças, vieses, experiências pessoais.

A Árvore na Montanha.

Ao avistar o profeta Zaratustra, o observava com admiração, discreto o suficiente para não ser percebido pelo mesmo.

Distraído estava eu, em uma montanha, sentado ao pé de uma árvore, refletindo sobre os ensinamentos do sábio Zaratustra, com pesar no olhar, e inquietações na mente, que se pudessem ser transcritas em sons seriam urros estridentes e confusos, que poderiam ser escutados por toda montanha. Nesse momento, quando pensamentos me afogavam, e meu corpo vulnerável e atenção ausente… Uma voz inconfundível e forte ecoou como se fosse na minha cabeça, e Ela dizia:

¹ “Se eu quisesse sacudir esta árvore com minhas mãos, não iria conseguir.
Mas o vento, que não conseguimos ver, pertuba-a e a dobra ao seu bel querer. Estamos sendo dobrados e perturbados por mãos invisíveis”.

Num solavanco meio desengonçado me pus de pé.

² Nesse momento, Zaratustra continuou: “Por isso estás assustado?”— Mas o mesmo que se passa com o homem se passa com a árvore. Quanto mais ela deseja crescer para o alto e para luz, mais vigorosamente suas raízes mergulham no solo na escuridão e mais — para o mal”.

“Sim, para o mal! ” —Gritrei eufórico.

³ Continuei ..—Falaste a verdade, Zaratustra. Eu já não confio em mim. Como isso aconteceu?
Eu mudo depressa demais: Meu hoje refuta o meu ontem: Costumo pisar em degraus quando subo e, por fazer isso nenhum degrau me perdoa.

Quando chego ao alto, encontro-me sempre sozinho. Ninguém fala comigo, e o gelo da solidão me faz tremer. O que eu busco nas alturas?

Meu desprezo e o meu desejo aumentam em conjunto: quanto mais eu subo, mais desprezo aquele que sobe. O que é que ele procura nas alturas?

⁴ Como estou envergonhado do meu subir e tropeçar! Como desdenho do meu ofegar violento! Como odeio quem pode voar! Como é rarefeito o ar nas alturas!

⁵ Calei-me, e Zaratustra completou: “Esta arvore que se ergue solitária aqui nas montanhas cresceu acima do homem e do animal…. E se ela quisesse falar não encontraria quem pudesse entendê-la de tão alto que cresceu. Agora ela espera — e o que ela espera? Ela mora tão perto das nuvens: Está esperando pelo primeiro raio?”

Uma excitação tomou-me e disse-lhe: “Sim, o que dizes é verdade. Eu desejava minha queda quando estava nas alturas e tu eras o raio pelo qual estive esperando! Vês, o que sou depois que apareceste. A Inveja que sinto de ti me aniquilou”.

Não contive e desabei em águas. Porém, Zaratustra colocou a mão em minha cintura num jeito de consolo e levou-me consigo. Após muita andança em silêncio, entre meu fungos e sons do caminho. Voltou-se a mim e tornou a falar:

⁶ “Estou de coração partido. Melhor do que as tuas palavras dizem, teus olhos me falam de todo perigo que corres. Tu ainda não és livre, ainda procuras a liberdade. Tuas buscas se turvam de cansaço e sono.

⁷ Para as alturas livres queres ir, tua alma tem sede de estrelas. Mas teus maus instintos tem sede de liberdade. Teus cães selvagens querem liberdade; latem de alegria em teu porão, quando teu espírito procurar abrir todas as prisões. Para mim tu és ainda um prisioneiro que inventa a liberdade: infelizmente, a alma de tais prisioneiros é inteligente, mas também ardilosa e egoísta.

O espírito livre ainda precisa purificar-se. Ainda resta nele grande parte do mofo da prisão: Seu olhar ainda precisa ser purificado (ao viver como preso, pensava como um preso, ao ser livre a prisão ainda me perseguia).

Dissecando as metáforas

1- As maiores tormentas do homem não são físicas, são em geral o modo que lidamos com o inesperado, incontrolável a nós.

2- Um ser humano em constante evolução (a quem Zaratrustra trata como elevado) tem muitas poucas verdades sobre seu mundo, mas sempre se remonta. Isso de certo forma é bom, mas em contraponto, além de ser solitário buscar sempre melhorar, é em muitas ocasiões visto como estranho ou desinteressante pela maioria das pessoas, e eleva cada vez mais suas metas e cobranças internas.

3- Alguém com poucas verdades absolutas questiona por vezes a si próprio: “Será que por mudar rápido demais, o errado sou eu? Se mostrar-me a verdade melhor que a que carrego comigo, estarei pronto a desmontar-me ou melhor, remontar-me”

4- Como dito acima, sua cobrança fica cada vez maior e mais desprezível para si são suas falhas, mas sempre ocorrerão. Cada etapa que melhora, o posto que ocupava anteriormente não lhe parece confortável. Isso não é relacionado a poder e sim a evolução como pessoa, como seu próprio eu te apontasse o dedo e dissesse: “Ué, não és tu que pensa ser bom? Como podes retroceder? Que ser despresivel és!”. Como é difícil respirar em lugares elevados por causa do ar pesado.

5- Uma pessoa como esta, sempre que se sente sozinha não consegue ver fragmentos, e geralmente vê sob mais de uma perspectiva, e procura sempre alguém pra conversar sobre a forma nua que vê o mundo e as motivações das pessoas, porque ele as entende, só que não tem reciprocidade. E por vezes passa a vida sozinho.

6- Zarastustra nesse momento se preocupa e talvez lembrou-se de como foi difícil seu caminho até chegar a virar um sábio, e compadeceu-se da dor e do sofrimento que também sentira na pele. Isso por vezes cansa, mas quem é assim não consegue sê-lo de outra forma.

7- Aqui Zaratrustra releva uma preocupação importante e pertinente. É um ato de glória se separar da moral do rebanho, todavia é complicado no início forjar sua própria moral, quando esta ainda entende-se como livre, mas livre é diferente de libertino, e além disso, por ser alguém esperto, seus demônios sabem agir sorrateiramente e podem tentar manipulá-lo como fantoche, sem a ciência de que está sendo. É humano, demaseadamente humano, mas não se contenta com a mediocridade.

Esse foi um post trabalhoso de fazer, mantive o máximo que pude do texto original, e fiz minha leitura das metáforas dele. É um livro carregado de metáforas com uma forma de escrita semelhante a Bíblia. O torna bem interessante, porém de difícil compreensão. Fiquem bem, um abraço.

Não deixem de dar a opinião de vocês sobre o texto.

2 comentários em “Parábola : A Árvore da montanha

  1. Adorei, Fael: “As maiores tormentas do homem não são físicas, são em geral o modo que lidamos com o inesperado, incontrolável a nós.”

    Por isso a importância de olhar nossos pensamentos, mas não ser dominado por eles. Meditação e Yoga têm me ajudado bastante a manter os pés no presente. Difícil pra caramba!

    Curtido por 1 pessoa

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