Resenha : O estrangeiro- Albert Camus

O livro o estrangeiro, a obra ficcional de Albert Camus, escritor renomado e um dos grandes nomes do existencialismo que estava em voga na França no pós segunda guerra mundial e atualmente está em crescimento. Essa obra faz parte da trilogia do absurdo, conceito criado pelo mesmo autor, a partir das obras do Mito do Sísifo, da peste e do estrangeiro.

Nas quais o Camus discorre sobre a irrelevância do ser humano para o mundo, e de que forma a angustia escrachada se dá ao perceber seu papel nulo e participativo perante o universo.

O próprio Camus fala dessa obra como o “Romance Absurdo em carne o osso”, de alguém que não se ve como parte das coisas e reconhece que não tem muito a ser feito, as coisas são como são, e deixaram de ser quando o bel prazer do caos quiser.

Não é que ele não tinha sentimentos, apenas era apático, conformado com as situações ocorridas com ele. Desde que o mundo é mundo pessoas nascem, crescem, reproduzem e morrem. O que Meursault fez foi aceitar sua condição.

Me reconhecer como humano o que de fato sou Sendo eu humano, e os que me cercam também, a morte seria um fato e um destino ao qual não se pode fugir, então aceito minha condição. Vide: Meursault “O Estrangeiro”

Meursault possui uma relatividade moral sobre seu personagem central. Ele não se mostra surpreso com seu amigo quando o mesmo o confessa com detalhes a tortura que planejava com sua amante. Ele simplesmente deixou o caos ocorrer. Ainda sobre o livro “O Estrangeiro”, um personagem muito importante na história, é sua querida Marie com quem tinha uma relação quase casual.

Que ao final do livro, perguntei-me se ele realmente a amava, e também sobre a fragilidade do “eu te amo”, sendo que todo amor na perspectiva absurdista e niilista, é o auto amor.

Implica isso que nao amas, as coisas e as pessoas ama o que elas lhe fazem sentir.

Na minha percepção Raymond foi uma peça importante, o sopro que faltava para o desencadear o caos, ou a queda do personagem, o empurrão do efeito dominó no caso como em toda obra pela ventura sem sentido algum para o fim que deu se.

Nesse caso, a grande beleza do personagem e da obra a qual inspirou um dos meus posts mais famosos do blog “A vontade do vazio”. Ser um absurdista (prometo fazer um post sobre “homem absurdo”), é viver até as últimas consequências disso, e a única coisa que em Meursault morreu foi sua vontade de significar com a realidade e suas incoerencias com o racionalismo que não compreende e nem de longe preenche todas as lacunas do cerne da vontade e necessidades psicologicas humanas.

O crime dele foi viver de acordo com seu código de conduta aceitando a condição de espectador alheio a si mesmo, e tendo como roteirista o acaso.

É notável, porém não sei se intencional, creio que sim até porque o livro “O mito do Sísifo”, Camus explica algumas convenções utilizadas por Kafka, e uma dessas analises foi sobre o brilhantismo do mesmo.

Na obra “O Processo” do Kafka (inclusive pretendo ler) o personagem principal também vive um longo e árduo processo. Só que para Meursault, ele mantem seu código moral e é exatamente o que leva para seu fim tragicômico.

Não foi o delito que ele cometeu, foi sua honestidade para com a sociedade. Fica claro que se ele fosse mais hipócrita e ter fingido ao menos devoção ao cristianismo seu desfecho teria sido outro.

Abro um parêntese aqui para elogiar a forma da escrita de Albert Camus. Particularmente achei muito cativante a descrição da rotina, da repetição, do cotidiano e mesmo assim ao ler não fica entediado. É um caos no sentindo cronológico muito bem orquestrado, que não poderia ter sido obtido se não por consciência.

No apice do livro em que *o Meursart dá batidas na porta da desgraça* geralmente a pessoa que vai comprar esse livro sabe o que acontecera, e mesmo sendo um livro de romance absurdo, o qual vc já tem um conhecimento do por vi , a linha narrativa começa a lhe confundir e deixar ansioso, e quase que inevitavelmente, vai se pegar dando uma olhada nas linhas inferiores para tentar chegar logo desfecho tão esperado .

O livro não vai decpecionar, e provavelmente te pegue do inicio ao fim, com ansiedade fora do normal, para entender o furacao de eventos e no fim o que eles desencadeiam.

O Meursart fora julgada pelos pequenos gestos , simplesmente por não encarar os costumes normais sociais da mesma forma que os outros, tanto que o delito por ele cometido ficou em segundo plano.

Não estavam julgando o ato, mas sim seu jeito de viver. Teu desapego em procurar ordem nas coisas, sua aceitação que a vida se finda e a não linearidade das coisas.

É um livro incrivel que brinca com sua ansiedade em ligar os pontos, sendo que o caos reina, ao passo que mesmo sendo o caos parece que fora milimetricamente esculpido pelo acaso.

Metáfora: O velho e o cachorro

O velho Salamano e o seu cachorro cocker spaniel » São metafora para relações e convivio, como por exemplo o casamento » algo, creem os parceiro, os fizeram ficar juntos.

Dar-se a isso o nome de destino ou Deus, quando na verdade foi a necessidade de ambos, do cachorro de alimento e do velho de companhia, mas depois quem impera é o costume a estabilidade que x ente ou ser lidar em X situação.

Um apresso é criado obviamente, mas nada extraordinário, assim como o beijar flor não vai por fins estéticos as flores, e nem as flores são cheirosas para deleite humano, como egocentrismo ou sei lá o que cogitamos pensar, que temos parte disso. Tudo é utilitario.

Espero que o review não tenha ficado mais estranho que o normal, mas nesse caótico livro, foi o melhor que pude fazer. Reafirmo aqui, vale a leitura, é um livro que tem um lugar guardado no meu coração foi um prazer enorme reler para fazer essa resenha. Fica ai indicação.

Nota: 5/5

4 comentários em “Resenha : O estrangeiro- Albert Camus

      1. Eu conheço uma pessoa como o personagem do livro do post. Eu só li resumos, e sempre achei o personagem frio, egoísta, tlvz eu esteja errada na análise por ter lido apenas resumos, mas deve ser uma pessoa intolerável p se viver junto.

        Curtido por 1 pessoa

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