Os opostos (não) se atraem!

Pelo menos nas ciências humanas podemos afirmar isso! o título é apenas sugestivo, por um questão de rankeamento nos sites de busca (aquilo que as pessoas mais procuram sobre o tema), pois se eu fosse colocar um título eu colocaria “Uma análise do termo ‘os opostos se atraem’ na visão das ciências humanas” e acrescentaria na introdução “Como provar que os opostos se atraem pelo simples fato de serem opostos?; e se atraem-se por isso, então atraem-se pelo que? Se atraem-se por isso então deixariam de ser opostos, pela lógica do significado seriam semelhantes, pois têm algo em comum, a saber, a atração pelo seu oposto.

Antes de mais nada é preciso estabelecer que a analogia que farei aqui é no âmbito da filosofia da linguagem, e, apesar de eu usar alguns termos da Física do tipo -“os opostos se atraem”- não tenho o intuito de usar esse termo como regra geral e sim apenas como uma ferramenta que pode contribuir para o entendimento não só filosofia da linguagem como também para a construção de identidade do indivíduo.

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Esse termo “os opostos se atraem” foi popularmente difundido com o passar do tempo depois que o físico Francês Charles Augustin de Coulomb descreveu a sua descoberta chamada “lei de Coulomb”. Hoje em dia esse termo se usa muito mais em outras coisas do que na própria Física, as relações sociais também são, até certo ponto, muito parecidas com isso. Mas porque até certo ponto? porque isso é teoria daquilo que é em si, e não daquilo que é quando visto sob a ótica daquilo que foi, ou daquilo que será.

Imagina que você está em um emprego, escola, redação de jornal e etc.. e se apaixona por alguém que, sendo muito diferente de você, tem algum ponto em comum (ninguém se apaixona por osmose), e digamos que esse ponto em comum seja alguma coisa do ambiente que está inserido, vamos pegar a escola como exemplo, você pode ser totalmente ‘diferente’ da(o) pretendente, mas os dois se apaixonaram, seja porque gostam de geografia, seja pela beleza de um e de outro, seja por qualquer outra coisa, tempos depois algum dos dois se interessa mais por outra área do conhecimento e acaba se afastando, ou, a beleza de um já não faz mais sentido para o outro.

Nesse momento você deve estar pensando… -ok! mas isso não é oposto, gostar de geografia nesse caso é semelhante e não oposto! assim como a paixão pela beleza do outro! … bom, isso porque não especifiquei a diferença logo acima depois de “sendo muito diferente de você”. Para entender que eu realmente estou falando de opostos que se apaixonam, eu deveria colocar assim: “um é rico, o outro é pobre”; “um é de uma etnia, outro é de outra”; “um gosta de um estilo musical totalmente diferente do outro”.

Se “os pontos em comum” viesse antes de “sendo muito diferente de você”, provavelmente eu não estaria falando de opostos que se atraem e sim de semelhantes que se atraem. Ainda assim, e referindo como dito no subtítulo, se a questão dessa atração fosse apenas o “ser oposto”, nada mais precisaria, pois aí já estaria a semelhança, e o sentido da atração entre os semelhantes desapareceria e não existiria inferência, dentro das ciências humanas, de que semelhante atrai semelhante.

A não ser que eu diga que os Opostos atraiam os Semelhantes…, a própria lógica não permite! Eu não posso dizer que os opostos atraem os semelhantes, porque se eu pegar os que são Opostos e tentar juntar com os que são Semelhantes eu vou ter um problema em saber de qual grupo eu estou falando, porque, por exemplo, digamos que os Opostos atraiam os Semelhantes, o resultado disso seria ou um grupo totalmente de opostos, ou um grupo totalmente de semelhantes, e aí eu perguntar-me-ia: o que aconteceu com os semelhantes que estavam dentro do grupo dos Semelhantes, e, com os opostos que estavam dentro do grupo dos Opostos?! Eles não podem simplesmente sumir, porque para algo ser denominado oposto é necessário que esse algo tenha o seu respectivo oposto, e, para algo ser denominado semelhante é necessário que esse algo tenha o seu respectivo semelhante.

Portanto, fica acertado que os opostos não atraem os semelhantes. Um oposto atrai o seu oposto diante dos pontos em comuns e um semelhante atrai o seu respectivo semelhante. Porque não existe o semelhante de um oposto e nem o oposto de um semelhante, porque os dois (“opostos” e “semelhantes”) são a título de comparação a si mesmos e entre a si mesmos, a denominação “oposto” é uma espécie de comparação entre um e outro que são diferentes, a saber, “opostos”, e a denominação “semelhante” é uma espécie de comparação entre um e outro que são iguais, a saber, “semelhantes”, se os opostos atraíssem os semelhantes, os dois se anulariam, não haveria atração, ou, os dois se auto destruiriam e não haveria nada, nem oposto, nem semelhante. É só uma questão de denominação dos princípios primeiros dos resultados. Ao contrário dessa teoria na Física (que eu chamaria de teoria molecular daquilo que é), nas relações sociais, os opostos e semelhantes concretos em si mesmos não se atraem.

Esse post é uma parceria com Ricardo Comiotto do Medium – https://medium.com/@ricardocomiotto

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