#01 A peste

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Relato

23 de março de 2022

Meu nome é Noah Filipe, brasileiro, residente em São Paulo. Vos escrevo para externalizar minha indignação com uma situação distópica e estonteante que tenho vivido. Quando tudo isso começou foi uma explosão de positividade, depois do choque inicial, micro empresários e coletivos anônimos concentraram forças para amenizar os impactos sociais da peste.

A Peste balançou as estruturas mundiais como nunca mais visto. Países não emergentes como EUA, China e Alemanha recuperaram-se, consideravelmente, pela organização e empenho ao combatê-la. De modo antagônico o Brasil está como uma barata que foi atingida por uma forte “sprayzada” de inseticida. Preocupado com consequências não essenciais, não empregou a força necessária para mitigá-la ou, ao menos, suprimi-la na medida do possível.

Como é sabido, a crise é o maior nitro de uma sociedade, e no nosso tempo não tem transcorrido de forma diferente. A ciência tem focado todos os seus esforços em encontrar a cura, mas a peste é recente, parece estarmos no meio do caminho para achar a cura dessa poderosa chaga.

Por muito tempo eu achei que a teoria eugênica havia sido abolida da terra, mas ela sofreu apenas alterações, e que as castas indianas estavam longe da nossa realidade, mas assim como a peste ela se espalhou com louvável eficiência. A sociedade agora é dividida em três castas, os contaminados e curados da peste, e aqueles que não a pegaram.

Houve um exôdo rural reverso durante a peste, e por questões financeiras a diáspora foi revertida, as pessoas mudaram o jeito de se vestir, alguns adereços, dentre eles a máscara, foram introduzidos tão subitamente no nosso vestiário que grande marcas como Nike e Lacoste já viram nisso possibilidade de mercado.

E é justamente o mercado a grande questão… Eu e algumas milhares de pessoas ainda, por força divina não fomos acometidos pela peste, por isso muitas empresas não nos acham interessante ter como empregados. Minha família toda está desempregada, são 5 pessoas. O governo alega não possuir mais dinheiro, e a ajuda de custo que outrora era de 600 reais, no presente momento foi cortada para 200 reais.

As companhias de água e energia estão sendo pagas pelo governo, por conseguinte a energia está sendo racionada ao extremo. Foram instalados dispositivos para desligar a energia geral da casa quando o limite for atingido.

Nossa alimentação tem sido exclusivamente arroz e ovo, e são apenas duas refeições por dia. A situação está insustentável! Pelo fato das empresas terem, em sua maioria esmagadora, quebrado, os empresários tentam em conjunto se reerguerem das cinzas. Condições de trabalho? Isso nem importa mais! Receba seus merréis e sorria por garantir, a trancos e barrancos, a sub-existência da sua família…. Agora a luz acabou, vou ter que escrever depois.

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